Outras nem conheço. Um cheiro familiar percorre o local. Talvez seja meu perfume favorito,
ou alguma flor presente no jardim de minha casa. Não me recordo...
Sinto-me a presenciar algum tipo de comemoração. Mas onde estou? Não consigo enxergar. Quero gritar,
mas não sei mover meus lábios. Lentamente, vagamente, tortuosamente; eu tento mover-me.
Mas algo impede. Onde estou? Também quero mergulhar na multidão de vozes conhecidas. Estaria em algum tipo
de aniversário?
Quando estou?
Sinto mover-me, sem querer. Automaticamente me mexo. Sim, estou mergulhando. Posso sentir
o geladinho de gotículas aquáticas por mim. Algo tão mágico por se passar é mergulhar sem sentir.
Sinto o cheiro das ondas, sinto meu corpo se aprofundar bem abaixo do nível permitido para
andar. Quero sentir meus braços, quero abraçar a água, quero respirar a profundeza!
Onde estou? Afundo cada vez mais, sem poder me guiar. Ouço barulhos cada vez mais altos.
Como se estivessem batendo na porta de minha casa abruptamente. Onde estou?
Tenho medo. Mas só sinto-me descer... cada vez mais descer. Sinto algo descendo sob minha face, lentamente
acariciando-me. Percorre minhas pálpebras e foge para minhas orelhas... O barulho insiste. Não
posso me mover. A escuridão me possuiu, o medo me invandiu. E não consigo sentir tremor. Já não sinto
mais a esperança de estar a nadar no mar. Mas não assumo o que meu pensamento quer me dizer. Não pode ser.
Já não posso mais respirar. O movimento de meus dedos retomam com cuidado e sem exaltar começo a empurrar
o que me cobre. É pesado e digno de se tornar impossível de mover-se apenas com minha força exercida sobre.
Ainda não consigo gritar. Não posso resolver sozinha. Não sei escapar. Perdida sinto-me estar.
Queria fugir para um lugar onde me encontrassem. a agonia percorre meu corpo. O tremor antes extinto, subtamente
aparece. Mas não consigo sair de onde estou. Deitada me encontro, e assim permaneço. É sufocante e já
nem consigo mais respirar. Sinto-me dentro a algum tipo de cupula moldada friamente ao redor de meu corpo.
O corpo... A magia da vida não aproveitada e compartilhada com o medo. O oxigênio é escasso.
Os barulhos desaparecem aos poucos. As vozes já se foram. Minhas unhas já quebraram-se. Julgo, talvez, um dedo
da mão esquerda ter-se partido na árdua tentativa de sair deste local. Querer morrer é não saber viver.
Sinto-me fraca e desajeitada. Se viesse a viver no claro, claustrofobia seria minha nova mania.
E não me esconderia no escuro em meus jogos de viver. Ah... Pensamentos. Já sem nexo virão, pois tardiamente
descobri o quão perdida estou. Eis o meu local de longa data a ficar.









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